
Moçambique atravessa, atualmente, uma fase particularmente relevante de mobilização de investimento internacional, marcando o início daquele que é considerado o maior ciclo de investimento no país desde a descoberta do gás na Bacia do Rovuma.
Este momento ímpar é suportado pela conjugação de pacotes financeiros de peso: o novo programa do Banco Mundial (avaliado em 6 mil milhões de dólares), os programas do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), a iniciativa Global Gateway da União Europeia e, crucialmente, o relançamento dos megaprojetos de Gás Natural Liquefeito (GNL).
Neste contexto de franca expansão, as empresas portuguesas encontram-se particularmente bem posicionadas para capitalizar estas oportunidades, com um foco muito claro no setor da energia em Moçambique, mas também graças às suas competências reconhecidas em áreas como engenharia, infraestruturas, TIC, digitalização do Estado, logística, agroindústria e serviços especializados.
Setor da Energia Moçambique: Perspetiva Estratégica e Visão 2026–2050
O crescimento económico projetado para os próximos anos exige uma visão estruturada a longo prazo. Na Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, Prakash Ratilal (Presidente do Conselho de Administração da Moçambique Capitais e antigo Governador do Banco de Moçambique) traçou o rumo necessário para o país.
Na sua intervenção, Prakash Ratilal defendeu a urgência de uma agenda nacional de reformas estruturais. o objetivo é claro: reduzir a pobreza, combater o desemprego e transformar o crescimento económico num verdadeiro desenvolvimento inclusivo e sustentável. Moçambique dispõe dos recursos naturais, humanos e geoestratégicos necessários para atingir patamares de desenvolvimento muito superiores, desde que ancorados em políticas públicas consistentes, atração de investimento produtivo e reforço institucional.
É precisamente neste vetor de investimento produtivo e infraestrutural que o setor da energia ganha um protagonismo absoluto.
Qual o Caminho para um Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável em Moçambique?
Como sublinhado por Prakash Ratilal, a chave para o futuro de Moçambique não reside apenas na extração de recursos, mas sim na capacidade de canalizar estes megaprojetos para a criação de valor local e de emprego.
As reformas estruturais propostas visam criar um ambiente de negócios mais robusto e previsível, onde o investimento privado — nacional e internacional — possa florescer. Para as empresas parceiras, isto traduz-se numa maior segurança jurídica, melhoria das infraestruturas básicas e um ecossistema mais favorável para parcerias tecnológicas de longo prazo.
A. Megaprojetos no setor da Energia e GNL
A retoma das operações na província de Cabo Delgado trouxe de volta à mesa os maiores projetos energéticos do continente africano, abrindo portas a cadeias de abastecimento complexas.
1. Mozambique GNL (TotalEnergies)
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Valor estimado: USD 20 mil milhões.
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Estado Atual: Projeto oficialmente retomado em janeiro de 2026.
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Oportunidades para fornecedores: Engenharia, construção industrial, automação, instrumentação, telecomunicações, cibersegurança, manutenção industrial, serviços marítimos, logística e formação. (Os fornecedores interessados podem realizar o seu registo no portal oficial do projeto).
2. Rovuma LNG (ExxonMobil)
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Valor estimado: Superior a USD 25 mil milhões.
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Estado Atual: Em fase de preparação da Decisão Final de Investimento (FID).
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Oportunidades de mercado: Contratos EPC (Engineering, Procurement and Construction), logística, construção modular e telecomunicações.
3. Coral North FLNG
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Financiamento: Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) – USD 150 milhões aprovados em janeiro de 2026.
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Oportunidades de mercado: Serviços offshore, engenharia naval, sistemas elétricos e instrumentação.
4. Central Solar Afungi LNG (TotalEnergies)
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Valor estimado: USD 10 a 15 milhões.
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Estado Atual: Concurso EPC já lançado (central de 7.1 MW).
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Nota: Este projeto sublinha a forte tendência de integração de soluções de energia renovável mesmo dentro dos grandes complexos de extração de combustíveis fósseis.
B. Energia e Redes Elétricas
Para além do gás natural, a modernização e expansão da infraestrutura elétrica nacional e regional é uma prioridade governamental imediata.
1. Expansão da Rede EDM (Eletricidade de Moçambique)
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Estado Atual: Decorrem concursos sucessivos direcionados ao desenvolvimento de subestações e linhas de transmissão.
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Oportunidades de mercado: Fornecimento e instalação de subestações, proteções elétricas, transformadores e integração de sistemas SCADA.
2. Interligação Moçambique-Zâmbia (400kV)
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Financiamento: Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
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Estado Atual: Projeto estratégico em fase de execução, essencial para a exportação e estabilização da rede elétrica na África Austral.
Quais as Vantagens Competitivas de Portugal neste Ciclo de Expansão do Mercado de Moçambique?
Portugal e as suas empresas partilham profundas afinidades linguísticas, culturais e históricas com Moçambique, mas a verdadeira vantagem competitiva assenta no rigor técnico e percurso de excelência demonstrado no setor energético.
As empresas portuguesas oferecem competências altamente especializadas em engenharia de redes, integração de energias renováveis, digitalização de serviços públicos e modernização de redes elétricas. Esta capacidade de entrega técnica, aliada à agilidade de trabalhar em consórcios internacionais e com parceiros locais, torna o ecossistema empresarial português o parceiro ideal para os exigentes cadernos de encargos financiados por entidades como o BAD e o Banco Mundial.

Como Mitigar o Risco e o Impacto Financeiro da Internacionalização?
Expandir para um novo mercado exige investimento, mas o ecossistema de apoios atual permite mitigar significativamente este impacto financeiro.
Através do programa COMPETE 2030, no âmbito do aviso SICE (Internacionalização das PME), as empresas portuguesas elegíveis podem candidatar-se a apoios financeiros que garantem um cofinanciamento a fundo perdido de até 50% das despesas de internacionalização. Este incentivo é um instrumento crucial para reduzir substancialmente o risco financeiro inicial, cobrindo custos associados à prospeção de mercado, deslocações e participação em certames de relevo.
Como Garantir um Enquadramento de Destaque nestes Concursos?
A entrada em Moçambique não deve ser feita de forma isolada ou reativa. Para obter um posicionamento diferenciado nos concursos da EDM, do programa MCC ou nos projetos de GNL, as empresas necessitam de planeamento estratégico e inteligência comercial local.
É aqui que o papel de um parceiro de ligação se torna indispensável. A Efacont apoia as empresas portuguesas através de duas vertentes críticas:
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Foco Comercial e Matchmaking: Preparação e agendamento prévio de reuniões de negócios (B2B e B2G) com decisores estratégicos locais e potenciais parceiros locais. O objetivo é assegurar que a sua comitiva viaja com uma agenda comercial perfeitamente direcionada para resultados.
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Tranquilidade Operacional e Logística: Gestão de toda a carga burocrática, vistos, voos, alojamento e transferes, permitindo que a sua equipa se foque exclusivamente na concretização de negócios.
Qual o Papel da FACIM 2026 na Consolidação destas Oportunidades?
A FACIM – 61.ª Edição da Feira Internacional de Maputo, que decorrerá de 31 de agosto a 6 de setembro de 2026, assume-se como o certame multissetorial mais importante do país e a porta de entrada estratégica para toda a região da África Austral.
A participação na feira, inserida numa missão empresarial planeada, é a plataforma ideal para apresentar o portefólio técnico da sua empresa diretamente aos grandes decisores dos megaprojetos e infraestruturas públicas.

