
A constituição de empresas Portugal registou um marco histórico em 2025, com a criação de 53.030 novas sociedades, o valor mais elevado alguma vez registado, segundo o Barómetro da Informa D&B.
Apesar de 12.567 encerramentos de empresas, o saldo líquido manteve-se positivo, evidenciando crescimento líquido do tecido empresarial nacional. Este panorama demonstra não apenas a capacidade das novas iniciativas prosperarem, mas também a resiliência e adaptação das empresas às condições económicas e às exigências do mercado, consolidando uma economia empresarial mais robusta e com oportunidades de inovação e investimento.
Constituição de empresas Portugal bate recorde
De acordo com a Informa D&B, 2025 marcou um momento particularmente relevante na história recente da economia portuguesa, destacando-se pelo elevado número de constituições de empresas. A criação de 53.030 novas sociedades representa um aumento de 3,1% face ao ano anterior, refletindo um reforço do dinamismo económico nacional e o interesse crescente pelo empreendedorismo. O relatório sublinha que o mercado português tem sido capaz de oferecer condições favoráveis à constituição de empresas, reforçando a confiança de empresários e investidores.
O crescimento consistente ao longo do ano evidencia que diversos setores souberam adaptar-se rapidamente às exigências do mercado, ajustando modelos de negócio, respondendo às novas necessidades dos consumidores e aproveitando oportunidades emergentes, contribuindo assim para o fortalecimento geral da economia nacional.
Setores com maior crescimento
Segundo a Informa D&B, os setores que mais contribuíram para o aumento na constituição de empresas Portugal foram a construção, as atividades imobiliárias, a agricultura e as tecnologias da informação. Estes setores concentraram uma parte significativa das novas constituições, demonstrando capacidade de atrair investimento e gerar iniciativas diversificadas, desde negócios tradicionais até projetos inovadores ligados à tecnologia e digitalização.
O alojamento de curta duração destacou-se com um crescimento de 33% no número de novas empresas, refletindo a relevância contínua do turismo e a adaptação do mercado às novas formas de oferta e procura, incluindo plataformas digitais e serviços flexíveis.
A programação informática registou um aumento de 28%, acompanhando a digitalização acelerada da economia, enquanto a agricultura e a pecuária subiram 21% face a 2024, evidenciando renovado dinamismo neste setor tradicional, impulsionado pela modernização das técnicas e valorização dos produtos nacionais.
Transportes e comércio em sentido inverso
Em contrapartida, setores como transportes, comércio a retalho, restauração e atividades ligadas à saúde registaram uma evolução negativa. O setor dos transportes apresentou uma redução de 22% na constituição de empresas, sobretudo nas atividades de transporte de passageiros a pedido em veículo com condutor, mantendo uma tendência de quedas de dois dígitos pelo segundo ano consecutivo, segundo a Informa D&B.
O comércio a retalho, os restaurantes e as atividades de saúde enfrentaram constrangimentos adicionais, incluindo custos operacionais mais elevados, mudanças nas preferências dos consumidores e maior complexidade regulatória, limitando a criação de novas empresas nestes segmentos e evidenciando desafios acrescidos para empreender nestas áreas.

Saldo positivo entre Constituição de empresas Portugal e encerramentos
Ao longo de 2025, foram registados 12.567 encerramentos de sociedades, evidenciando que algumas empresas enfrentaram dificuldades operacionais, decisões estratégicas de cessar atividade ou desafios específicos do mercado que levaram à dissolução das suas operações. Apesar deste volume significativo de saídas, o balanço global manteve-se claramente positivo, uma vez que o número de constituições de novas empresas superou largamente o das dissoluções, resultando num saldo líquido favorável.
Este resultado confirma que o tecido empresarial português continuou a expandir-se de forma consistente, refletindo não apenas a capacidade de novas empresas de prosperarem, mas também a resiliência e adaptação do setor económico face às condições de mercado e aos desafios estruturais. Estes indicadores reforçam a perceção de que a economia nacional se mantém em constante renovação, criando oportunidades de negócio, fomentando o empreendedorismo e consolidando uma base sólida para o desenvolvimento económico futuro. Além disso, evidenciam que, mesmo com a saída de algumas sociedades, o panorama empresarial continua dinâmico, capaz de absorver mudanças e sustentar o crescimento sustentado do país.
Formas jurídicas mais utilizadas
De acordo com o Barómetro da Informa D&B, a esmagadora maioria das novas empresas constituídas em 2025 optou por recorrer a formas jurídicas como as sociedades unipessoais e as sociedades por quotas, estruturas legais reconhecidas pela sua simplicidade e flexibilidade. Estes modelos jurídicos proporcionam aos empresários uma gestão mais prática do dia a dia das empresas, permitem a tomada de decisões de forma rápida e reduzem significativamente a complexidade burocrática associada à criação e manutenção de sociedades.
A escolha por sociedades unipessoais e sociedades por quotas revela uma adaptação clara à realidade das pequenas e médias empresas, que muitas vezes necessitam de soluções ágeis e eficientes para iniciar e expandir a sua atividade empresarial.
Estas formas jurídicas facilitam a organização interna, oferecem maior controlo sobre os processos e permitem aos empresários concentrar-se no crescimento e na inovação, sem ficarem sobrecarregados por exigências legais ou administrativas complexas. Esta tendência evidencia ainda a estratégia dos empreendedores de minimizar riscos, gerir os recursos de forma eficiente e assegurar uma estrutura sólida capaz de sustentar o desenvolvimento e a expansão das suas atividades ao longo do tempo, contribuindo assim para a dinamização contínua do tecido empresarial português.
Distribuição geográfica das novas empresas
O crescimento na constituição de empresas verificou-se em praticamente todo o território nacional, demonstrando que o dinamismo empresarial não se limitou a algumas regiões específicas, mas se espalhou por diferentes áreas do país. Contudo, este aumento foi mais significativo nos distritos com maior densidade populacional e maior concentração de atividade económica, onde as condições de mercado, a procura por produtos e serviços e a presença de infraestruturas empresariais favorecem a criação de novas sociedades.
Leiria destacou-se em termos percentuais, registando um aumento de 11%, correspondente à constituição de mais 204 novas empresas, evidenciando um desempenho notável relativamente ao tamanho do tecido empresarial local. Seguiu-se o distrito de Braga, com um crescimento de 6,7%, traduzido em 247 novas constituições, mostrando uma evolução consistente e o ambiente favorável à iniciativa empresarial. O Porto registou uma subida de 4,8%, equivalente à criação de 418 empresas, refletindo o peso económico da região e a sua capacidade de atrair investimento e novos empreendimentos. Por fim, Lisboa apresentou um aumento de 2,1%, com mais 338 sociedades constituídas, mantendo-se como um polo central de atividade económica, onde a concentração de empresas e a variedade de oportunidades de negócio sustentam a expansão contínua da criação de empresas.
Este panorama geográfico evidencia que os distritos mais populosos e com maior concentração empresarial tendem a liderar a expansão da constituição de empresas, refletindo uma relação direta entre dimensão do mercado, disponibilidade de oportunidades, ambiente económico favorável e o número de novas sociedades criadas. Esta tendência confirma a importância das regiões urbanas e economicamente mais desenvolvidas na dinamização do tecido empresarial nacional e na atração de novos investimentos.
Serviços continuam a dominar o tecido empresarial
Os serviços gerais e os serviços empresariais continuam a assumir um papel central no tecido empresarial português, representando uma parte significativa do conjunto de empresas ativas no país e funcionando como pilares essenciais da economia nacional. Estas áreas abrangem um leque diversificado de atividades, incluindo consultoria, gestão, serviços administrativos, serviços financeiros e apoio direto a outras empresas, sendo fundamentais para o funcionamento e desenvolvimento de múltiplos setores da economia.
A importância destes setores vai além do número de empresas que englobam, refletindo-se também na sua capacidade de fomentar crescimento económico, promover inovação e gerar emprego de forma consistente. Ao fornecerem suporte estratégico a outras empresas, os serviços gerais e empresariais contribuem para a eficiência e competitividade do tecido empresarial, facilitando a adaptação a novas exigências do mercado e a implementação de soluções inovadoras. A sua presença consolidada no panorama económico português evidencia que estes setores não apenas sustentam a atividade empresarial, mas também funcionam como motores de dinamização, criando condições para a expansão de negócios e fortalecendo a estrutura global da economia nacional.
Insolvências em queda
O número de insolvências registou uma diminuição ao longo de 2025, com 2.037 empresas a iniciar processos de insolvência, representando uma redução de 2,2% face ao ano anterior, segundo os dados divulgados pela Informa D&B. Esta evolução indica que um número significativo de empresas conseguiu manter-se ativo e operar de forma sustentável, mesmo num contexto económico marcado por desafios e incertezas.
A redução das insolvências reflete a capacidade das empresas de gerir riscos de forma mais eficaz, adaptar-se às flutuações da procura, lidar com alterações nos custos operacionais e enfrentar as condições financeiras do mercado com maior preparação. Estes resultados evidenciam uma melhoria na resiliência do tecido empresarial português, sugerindo que muitas sociedades estão mais preparadas para enfrentar dificuldades, preservar a sua viabilidade e assegurar a continuidade das suas operações. No conjunto, estes números reforçam a perceção de estabilidade e robustez do setor empresarial, sublinhando que, apesar das adversidades, a economia nacional mantém uma base sólida que sustenta a atividade económica e favorece um ambiente de negócios mais seguro e confiável.
Conclusão
O ano de 2025 foi histórico para a constituição de empresas Portugal, com um número recorde de novas sociedades e um saldo líquido positivo entre criações e encerramentos. Apesar de dificuldades em setores como transportes, comércio, restauração e saúde, a economia empresarial mostrou resiliência e capacidade de adaptação.
O crescimento concentrou-se em áreas estratégicas como construção, imobiliário, agricultura, tecnologias da informação, turismo e digitalização. A preferência por sociedades unipessoais e por quotas evidencia a busca por modelos jurídicos flexíveis. Este conjunto de fatores aponta para um tecido empresarial mais sólido, inovador e capaz de sustentar o crescimento económico nos próximos anos.

