Uma bandeira chinesa semitransparente sobrepõe-se a um céu nublado. À direita, contêineres coloridos empilhados sugerem o comércio internacional, sugerindo a Exportação para a China ou oportunidades para as Empresas Portuguesas nos mercados globais. - Efacont

Expandir o seu negócio para mercados internacionais é um passo estratégico para crescer. A China, com mais de 1,4 mil milhões de consumidores e o maior mercado de e-commerce do mundo, apresenta oportunidades únicas para empresas portuguesas. Este guia detalhado explica o que precisa saber para começar a exportar de Portugal para a China, desde o entendimento do mercado até à logística e estratégias de entrada.

Panorama económico: sólido e em transição

Em 2024, o Produto Interno Bruto (PIB) da China atingiu os 18 743,6 mil milhões de dólares norte-americanos, refletindo a dimensão da sua economia e o papel estratégico que desempenha no panorama económico global. O PIB per capita situa-se nos 13 206 dólares, um valor que demonstra o progresso económico da população, apesar de ainda existirem desigualdades regionais significativas entre áreas urbanas e rurais. O crescimento real do PIB foi de 5%, mantendo o país entre as economias que apresentam expansão consistente, embora num ritmo mais moderado do que nos anos anteriores. A taxa de inflação manteve-se baixa, em 0,2%, garantindo relativa estabilidade nos preços e no poder de compra, enquanto a taxa de desemprego registou 5,1%, evidenciando um mercado de trabalho relativamente equilibrado face ao tamanho da população.

A China encontra-se num processo de transformação estrutural, passando de uma economia fortemente industrializada para um modelo mais centrado nos serviços e no consumo interno, o que reflete a estratégia do governo em diversificar fontes de crescimento económico. Esta transição envolve o incentivo ao consumo privado, o desenvolvimento de tecnologias avançadas e a promoção de investimentos em setores estratégicos, com o objetivo de criar uma economia mais sustentável, menos dependente das exportações e mais resiliente a choques externos.

Cultura empresarial: conheça as regras do jogo

Negociar na China envolve tanto o entendimento cultural como a capacidade comercial. Para ter sucesso no mercado chinês, é essencial compreender certos princípios que orientam o comportamento empresarial. Um dos mais importantes é o Guanxi, que consiste numa rede de relações pessoais e de confiança indispensável para qualquer tipo de negócio. Sem estas ligações, muitas negociações podem ser inviáveis, uma vez que os chineses valorizam profundamente as conexões interpessoais antes de avançarem com acordos.

Outro conceito central é o Mianzi, ou “perder a face”. Na China, é fundamental evitar críticas ou confrontos públicos, pois fazer alguém “perder a face” pode comprometer seriamente a relação comercial. A reputação e a honra são altamente valorizadas, e a gestão delicada das interações sociais é crucial para manter uma negociação harmoniosa.

A hierarquia e a pontualidade são igualmente determinantes. Os representantes empresariais devem chegar sempre a horas, ou mesmo alguns minutos antes, pois qualquer atraso é interpretado como desrespeito e pode minar a credibilidade da sua empresa. A tomada de decisão nas organizações chinesas segue uma estrutura hierárquica rígida, sendo importante que os interlocutores estejam ao mesmo nível hierárquico para que as negociações avancem de forma eficaz.

Por último, as refeições de negócios representam momentos estratégicos para consolidar relações. Almoços e jantares são utilizados para fortalecer laços de confiança e, muitas vezes, para discutir acordos de forma menos formal. Durante estas ocasiões, é essencial participar nos brindes, respeitar a etiqueta à mesa e seguir as indicações do anfitrião, incluindo a ordem de lugares e o momento de iniciar a refeição. Conhecer e respeitar estas normas culturais pode ser decisivo para estabelecer uma parceria duradoura e bem-sucedida na China.

Hábitos de consumo: o que os chineses procuram

  • Valorização da qualidade e da origem dos produtos
    • Os consumidores chineses dão grande importância à qualidade dos produtos importados, especialmente quando se trata de bens provenientes da Europa.

    • Produtos alimentares, vinhos, cosmética ou bens de luxo de origem europeia são muitas vezes percebidos como mais seguros e confiáveis, o que representa uma oportunidade para marcas portuguesas.

  • Design e apresentação são determinantes

    • A embalagem desempenha um papel essencial na decisão de compra. Produtos com embalagens apelativas, inovadoras ou premium tendem a destacar-se nas prateleiras físicas e online.

    • O cuidado na apresentação transmite profissionalismo e reforça a perceção de qualidade do produto.

  • Saúde, sustentabilidade e “clean labels”

    • Os consumidores estão cada vez mais atentos à saúde e à segurança alimentar. Produtos com “clean labels”, ou seja, sem aditivos indesejáveis e com informação transparente sobre ingredientes, têm maior aceitação.

    • Tendências ambientais, como a pegada de carbono ou embalagens recicláveis, também começam a influenciar a escolha dos produtos.

  • E-commerce e mobilidade

    • O comércio eletrónico é dominante na China, com a maioria das compras a ser realizada através de smartphones.

    • Plataformas como Alibaba, Tmall e JD.com lideram as vendas online, enquanto os pagamentos digitais via Alipay e WeChat Pay são quase universais, tornando a experiência de compra rápida e prática.

  • Segmentos em expansão e oportunidades de mercado

    • Alimentos saudáveis, snacks e produtos orientados para o bem-estar estão em forte crescimento, acompanhando a preocupação com estilos de vida mais saudáveis.

    • Produtos infantis e artigos para crianças continuam a ter grande procura, refletindo a disposição das famílias em investir na qualidade e segurança para os filhos.

    • O mercado de rações e produtos para animais de estimação também apresenta crescimento significativo, acompanhando o aumento da população de animais domésticos nas grandes cidades.

Hábitos de consumo: o que os chineses procuram

  • Produtos importados de qualidade

Os consumidores chineses valorizam fortemente produtos importados, especialmente quando são de origem europeia. Esta perceção associa-se a maior segurança, confiança e prestígio. Bens alimentares, vinhos, cosmética e produtos de luxo portugueses têm, por isso, uma excelente oportunidade neste mercado.

  • Design e apresentação

A embalagem do produto é determinante na decisão de compra. Produtos visualmente apelativos e bem apresentados destacam-se tanto em lojas físicas como online. Um design cuidado transmite qualidade e confiança, tornando-se um fator decisivo de diferenciação face à concorrência.

  • Saúde e sustentabilidade

Cada vez mais, os consumidores chineses procuram produtos “clean label”, ou seja, com ingredientes naturais e sem aditivos indesejáveis.

A preocupação ambiental também começa a pesar nas escolhas, com produtos que comunicam informações sobre pegada de carbono, materiais recicláveis ou processos de produção sustentáveis a ganharem preferência.

  • Crescimento do e-commerce

As compras via smartphone dominam o mercado chinês. Plataformas como Alibaba, Tmall e JD.com lideram o comércio online, enquanto os pagamentos digitais através de Alipay e WeChat Pay se tornaram quase universais, garantindo rapidez, segurança e conveniência.

  • Segmentos em expansão

Alimentos saudáveis, snacks e produtos voltados para o bem-estar estão em forte crescimento, refletindo a mudança para estilos de vida mais saudáveis.

Produtos infantis continuam a ter grande procura, à medida que famílias chinesas investem cada vez mais na qualidade e segurança dos bens destinados aos filhos.

O mercado de rações e produtos para animais de estimação também cresce rapidamente, acompanhando o aumento de donos de animais nas grandes cidades.

Um globo estilizado mostra as Américas do Norte e do Sul com linhas e pontos vermelhos brilhantes, representando as rotas marítimas globais. Grandes navios de carga destacam o comércio internacional e a exportação para a China, sugerindo conectividade para as empresas portuguesas. - Efacont

Estratégias práticas para entrar no mercado chinês

  1. Pesquisa de mercado: Identifique regiões, público-alvo e canais de distribuição.

  2. Adaptação cultural: Embalagem, marketing e tradução em mandarim são essenciais.

  3. Canais de venda online: Utilize marketplaces chineses e redes sociais locais.

  4. Marketing digital local: Douyin, livestreaming com KOLs e campanhas segmentadas funcionam melhor do que publicidade ocidental.

  5. Logística e regulamentação: Conheça alfândegas, licenças e certificações.

  6. Proteção de negócios: Due diligence em parceiros e contratos claros.

Conclusão

Expandir o seu negócio para a China representa uma oportunidade única de aceder a um dos maiores mercados do mundo, com mais de 1,4 mil milhões de consumidores e uma economia em transição para serviços e consumo interno. Compreender a cultura empresarial, adaptar produtos e embalagens, apostar no e-commerce e identificar os segmentos em crescimento são passos essenciais para o sucesso.

Uma abordagem estratégica, aliada a parcerias de confiança e conhecimento das regulamentações locais, permitirá às empresas portuguesas posicionarem-se de forma competitiva, aproveitando o potencial deste mercado e construindo relações de longo prazo com consumidores e parceiros chineses.