A expansão para novos mercados é um dos maiores desafios para as Pequenas e Médias Empresas (PME) portuguesas. O risco financeiro, o desconhecimento dos mercados externos e a falta de escala são frequentemente barreiras intransponíveis quando abordadas de forma isolada. É neste contexto que o Sice Internacionalização Operações em Conjunto e os sistemas de incentivos desempenham um papel vital na estratégia empresarial.
O SICE (Sistema de Incentivos à Competitividade Empresarial) – Internacionalização das PME, na sua vertente de Internacionalização Operações em Conjunto, é um instrumento de política pública e financiamento europeu desenhado para apoiar a projeção global de empresas portuguesas através de uma abordagem colaborativa. Em vez de uma única empresa avançar isoladamente, as Operações em Conjunto consistem em projetos integrados e coordenados por uma entidade agregadora sem fins lucrativos (como uma associação empresarial ou câmara de comércio) que organiza um grupo de PME para partilharem recursos, custos e estratégias na abordagem a mercados internacionais.
No âmbito da gestão empresarial, a Sice Internacionalização Operações em Conjunto representam uma alavanca estratégica fundamental. Permitem que as PME ganhem escala, beneficiem de economias de partilha e acedam a conhecimento especializado de forma subsidiada. Estes projetos visam aumentar a competitividade empresarial, promovendo ações estruturadas como a presença em feiras internacionais, a captação de novos clientes, a implementação de campanhas de marketing além-fronteiras e a transição para modelos de e-commerce e ferramentas digitais.
No mundo da consultoria empresarial, sabemos que a mitigação de risco é crucial na tomada de decisão. As Operações em Conjunto funcionam exatamente como um mitigador de risco financeiro e operacional na internacionalização.
Estes projetos são liderados por entidades promotoras (associações empresariais, câmaras de comércio e indústria, agências públicas de promoção turística ou outras entidades do Sistema Nacional de I&I). Estas entidades assumem a responsabilidade de desenhar o plano de internacionalização, submeter a candidatura e coordenar a execução física e financeira do projeto.
Para que a operação seja válida, conforme o aviso MPR-2025-14, deve abranger um mínimo de 10 PME (com pelo menos 50% das empresas já identificadas na fase de candidatura). Esta estrutura colaborativa fomenta não só a partilha de custos de promoção internacional de produtos e serviços portugueses, mas também a criação de redes de networking e sinergias na mesma cadeia de valor.

O Sice Internacionalização Operações em Conjunto não se resume a exportar excedentes, exige um planeamento estratégico rigoroso e a criação de valor sustentável. A importância da Sice Internacionalização Operações em Conjunto reside na sua capacidade de democratizar o acesso aos mercados globais.
Para um gestor ou administrador, integrar a sua empresa numa destas operações significa aceder a:
O impacto na produtividade organizacional e no crescimento empresarial é direto: as PME conseguem testar novos mercados com menor investimento próprio, resultando num aumento sustentado da intensidade das exportações.
Uma consultoria económico-financeira eficaz exige o mapeamento preciso de quais os investimentos que podem ser financiados. Este aviso é abrangente e apoia intervenções críticas para a competitividade no mercado externo. As principais despesas elegíveis incluem:
O aviso cobre os apoios para participação de PME em feiras e certames internacionais, fundamentais para fechar negócios B2B. Isto inclui o financiamento para aluguer e construção de stands no estrangeiro, bem como financiamento para deslocações e transporte de mostruários. Também estão previstos subsídios para missões empresariais e prospeção de mercados externos, permitindo uma análise presencial das dinâmicas comerciais.
Desenvolver uma marca no exterior requer capital. Estão previstas rubricas para o apoio à criação e promoção internacional de marcas portuguesas (incluindo conceção e registo). Além disso, o financiamento de serviços de comunicação e marketing internacional e o financiamento de campanhas de marketing internacional SICE permitem que as PME adaptem a sua comunicação à cultura e exigências do mercado-alvo.
O paradigma da gestão de vendas mudou, e o financiamento espelha isso mesmo. A Internacionalização Operações em Conjunto valorizam fortemente a economia digital, fornecendo:
Estão contempladas as despesas elegíveis com estudos e estratégias de internacionalização, essenciais para uma entrada sustentada. Sublinha-se ainda o rigor financeiro imposto pelos fundos comunitários, pelo que a intervenção de revisor oficial de contas em projetos financiados (ou Contabilista Certificado) para validação da despesa é também ela uma despesa apoiada. Inclui-se ainda o apoio para plataformas colaborativas de partilha de conhecimento entre os participantes.
Para garantir a viabilidade da candidatura a financiamento para internacionalização empresarial, é essencial um planeamento atempado e o cumprimento escrupuloso das regras. Os projetos devem apresentar um custo total mínimo de 200.000€ e máximo de 10 milhões de euros (salvo exceções). Têm uma duração máxima de execução de 24 meses e devem ter início no prazo máximo de 90 dias úteis após a submissão.
Em termos de agenda empresarial, é crucial reter os prazos de candidatura SICE internacionalização: a fase atual termina a 30 de junho de 2026, às 17h00. O sucesso de uma aprovação não depende apenas de preencher formulários, mas de apresentar um projeto onde os indicadores financeiros e os resultados projetados (como o aumento do volume de exportações, os novos mercados atingidos e as novas lojas online criadas) justifiquem o investimento público.
| Autoridade Gestão | Dotação (indicativa, em euros) |
Fundo | Taxa máxima de cofinanciamento |
| COMPETE2030 | 150 000 000,00 € | FEDER | 50% |
| Lisboa 2030 | 500 000,00 € | FEDER | 40% |
| Algarve 2030 | 1 000 000,00 € | FEDER | 40% |
O apoio a conceder assume a forma de subvenção não reembolsável.
O que é a Sice Internacionalização Operações em Conjunto?
A Sice Internacionalização Operações em Conjunto são projetos de investimento colaborativos, integrados no Sistema de Incentivos à Competitividade Empresarial (SICE), promovidos por entidades associativas. Têm como objetivo agrupar um conjunto de PME (mínimo 10) para partilharem estratégias e custos na promoção e entrada em mercados internacionais, alavancando a sua competitividade global.
Quem pode apresentar candidaturas ao aviso COMPETE2030 para ações coletivas / conjuntas?
As candidaturas são submetidas e geridas por entidades públicas ou privadas sem fins lucrativos de natureza associativa, tais como associações empresariais, câmaras de comércio e indústria, e agências regionais de promoção turística, atuando em representação das PME destinatárias finais.
Como funciona o financiamento para agências públicas de promoção turística e associações?
A entidade líder aprova um orçamento global (mínimo 200.000€) para o projeto. O financiamento (que atinge até 50% a fundo perdido dependendo da região) cobre os custos de coordenação da entidade promotora e subsidia diretamente as despesas das PME envolvidas nas ações de internacionalização planeadas.
Qual a diferença entre um projeto SICE Individual e Operações em Conjunto?
Num projeto SICE Individual, a PME candidata-se sozinha, assumindo todos os riscos, custos e a gestão burocrática da candidatura. Nas Operações em Conjunto, a empresa junta-se a um grupo organizado por uma associação do seu setor, beneficiando de economias de escala, menor carga burocrática direta e a força de uma promoção setorial conjunta.
Porque são importantes as Operações em Conjunto para as empresas?
São uma ferramenta vital de gestão empresarial porque permitem às empresas testar novos mercados internacionais, participar nas maiores feiras mundiais e investir em transição digital (lojas online, marketing digital) com uma fração do custo real, impulsionando fortemente o crescimento e o aumento das exportações.